As estruturas de gestão essenciais para o crescimento da sua clínica

Muitos donos de clínicas fogem deste tema por acreditarem,
erroneamente, que desenhar processos, papéis e estruturas de
gestão é uma questão de importância futura, para quando a
empresa crescer.

Engano que, por ausência de visão sistêmica,
diminui – justamente – a capacidade do negócio de prosperar e
impede que até as boas estratégias tenham sucesso.

Desenhar e modelar estruturas de gestão é um exercício
fundamental para negócios que querem crescer. E não importa a
fase desse crescimento, o segmento ou o tamanho da clínica,
sempre será adequado iniciar o trabalho de projetar e construir as
estruturas que definirão a maneira como tudo irá operar e
garantirão a unidade organizacional necessária para manter o
negócio firme diante das adversidades.

Enquanto a cultura engole a estratégia, as estruturas devoram a
cultura….

E é assim, provocando a conhecida frase de Peter Drucker,
que Brian J. Robertson reforça a importância da governança e das
estruturas gestão do negócio. Segundo o autor, é preciso enxergar
estes elementos como recursos estratégicos da companhia e, desta
maneira, organizá-los intencionalmente, assim como se faz com a
estratégia e deve-se fazer com a cultura.

Aqui na B3 Consulting, entendemos por estruturas de gestão o
aglomerado de instrumentos, processos e sistemas que formam a
estrutura invisível do negócio. Incluem o organograma, as funções e
níveis de autonomia, a governança que dinamiza a relação entre as
pessoas com suas políticas e princípios, os modelos de gestão e
tomada de decisão, os comitês e, ainda, toda a estrutura de
processos da organização.

Segundo pesquisa realizada pelo SEBRAE, a mortalidade das
empresas no Brasil está alicerçada em três grandes questões: falta
de planejamento, pouco investimento em capacitação e gestão
ineficiente ou desatualizada. O relatório mostra ainda que “as
empresas que costumam, com frequência, aperfeiçoar produtos e
serviços, estar atualizada com respeito às tecnologias do setor,
inovar em processos e procedimentos e investir em capacitação,
tendem a sobreviver mais no mercado”.

E a palavra-chave para entender por que as estruturas de gestão
são fundamentais em qualquer estágio de crescimento de uma
clínica é: atualização. Isto porque é comum se pensar que a única
contribuição desse tipo de construção é o aumento da burocracia
do negócio. Porém, é preciso compreender que, assim como a
clínica, as estruturas de gestão também precisam se adaptar
constantemente. E, por afetarem toda a clínica, tais estruturas não
só devem ser flexíveis e adaptáveis em si como devem ser
pensadas de tal forma que permitam que o próprio negócio seja
adaptável também.

Em resumo, é possível pensar em um conjunto de estruturas de
gestão para cada fase da sua clínica, com a complexidade que esse
estágio merece e com princípios que permitam sua revisão
constante e atualização quando necessário. E se você é um
pequeno ou médio empresário, vai compreender que pela estrutura
é possível garantir a execução da estratégia e, paralelamente,
influenciar a cultura do seu negócio rumo ao crescimento.
Quando competência e esforço não são suficientes

Todo negócio vive uma jornada mais ou menos parecida. O início é
focado em reunir recursos econômicos e humanos capazes de
sustentar o primeiro ciclo de crescimento. Depois de um tempo,
agrega-se a estes desafios a necessidade de padronizar e organizar
as atividades da equipe, que cresceu.

O que antes era simples e observável (poucas pessoas, poucos
pacientes e pouca complexidade) passa a se tornar complicado em
termos gerais. Isso fica evidente em um dos aprendizados mais
frustrantes de todo empresário: descobrir que o aumento da equipe
não significa aumento proporcional de produtividade e entrega.
Esse é o momento em que se aprende que aquele esforço que
serviu de combustível nas fases iniciais não é mais suficiente. É
também a hora em que se descobre que a dependência da
empresa pelas pessoas e suas competências (vista com
naturalidade no início do negócio) deixa de ser apenas uma
característica e passa a ser um problema.
Amargos e bem-vindos aprendizados, pois, entre outros, são eles
que demonstram que a empresa amadureceu e se tornou um
sistema.
É por tudo isso que acredito ser imperativo que as clínicas pensem,
de forma intencional, suas estruturas de gestão. São elas que irão
permitir manter a integridade do negócio enquanto ele se
desenvolve. Que impactarão diretamente a rotina da empresa, a
forma como é regida e o seu desempenho na busca pelos
objetivos, metas e resultados.
Gosto muito de uma citação atribuída à Michelangelo: ao ser
questionado sobre como fazia suas esculturas, ele
respondeu: “Como faço uma escultura? Simplesmente retiro do
bloco de mármore tudo que não é necessário.”
Este é um pensamento interessante para se refletir estruturas de gestão, pois
ao se modelar sistemas alinhados ao tipo de negócio e à promessa
de valor, é isso que fazemos: tiramos da frente o que impede as
estratégias, informações e decisões de fluírem e permitirem o
sucesso do negócio.