O “Sabor” do marketing na saúde
- Bianca Imbroisi
- há 4 horas
- 2 min de leitura

Tenho acompanhado a discussão sobre “Sabor Marketing”, essa ideia de que marcas fortes criam identidade sensorial, presença e memória emocional.
No varejo, faz total sentido, a embalagem, linguagem, estímulo, enfim, tudo isso influencia na nossa decisão.
Mas, quando essa lógica é levada para a saúde sem filtro crítico, fica perdido.
Porque na saúde, o “sabor” não pode ser construção estética. Ele precisa ser construção de cultura.
Seu paciente não está comprando um produto. Ele está confiando sua saúde, seu corpo, sua intimidade, suas dores.
A régua é bem diferente.
Muitas clínicas estão sofisticando discurso, identidade visual e presença digital.
Estão mais bonitas, mais organizadas visualmente, mais alinhadas com tendências.
Mas, o que percebemos é que internamente, ainda operam com fluxos frágeis, jornadas inconsistentes e equipes que não sustentam o que o marketing comunica.
E, marketing, quando bem feito, não cria realidade. Ele amplifica realidade.
Se a operação é consistente, ele potencializa.
Se a operação é frágil, ele expõe.
Na prática, toda marca da área da saúde se apoia em três dimensões silenciosas: a promessa que comunica, a experiência que entrega e a consistência técnica que sustenta.
Quando essas três camadas estão alinhadas, a marca se fortalece de forma orgânica.
Quando não estão, surge um ruído quase imperceptível mas, cumulativo.
O paciente talvez não saiba explicar tecnicamente o que está errado. Mas ele sente. Ele percebe pequenas incoerências.
É por isso que, antes de falar em tendência, posicionamento ou “experiência instagramável”, a pergunta que eu sempre faço é:
A estrutura está resolvida?
Os processos estão bem alinhados?
Sua equipe está treinada?
Porque no varejo, o sabor pode ser embalagem.
Na área da saúde, o sabor é coerência repetida ao longo da jornada.
E, coerência não se constrói com estética.
É construída com processo, cultura e entrega consistente.
E a reflexão que eu faço é:
Nós estamos sustentando a verdade que “pregamos” nas mídias?



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